COMO TUDO COMEÇOU

A primeira vez que tive contato com o assunto foi no início de 2006 num artigo da ARRL em seu web site. Era tudo novidade e pouco se sabia sobre o sistema. Na época até achei interessante, mas a idéia precisava amadurecer mais. Ainda não havia repetidoras de clubes em funcionamento e tudo era só meio que na teoria.

Posteriormente, durante a FENARCOM de 2006, tive felicidade e assistir uma palestra sobre D-STAR apresentada pelo N9JA - Ray Novak, da Icom. Lembro-me de ter ficado entusiasmado com o sistema e a partir daí procurei me interar melhor do assunto, inclusive conversando muito com Ray sobre o assunto. Bom, o entusiasmo durou pouco, quando descobri o preço do sistema percebi que era impraticável para o bolso dos radioamadores brasileiros.

Há uns dois meses, quando o nome FENARCOM voltou à tona devido a proximidade do evento, a primeira coisa que me veio à mente foi querer saber como o sistema D-STAR estava se saindo nos EUA.

Comecei a pesquisar e para minha surpresa descobri que já havia mais de cem repetidoras D-STAR em funcionamento, e esse número crescendo num ritmo acelerado. O entusiasmo voltou, agora só faltava verificar o maior dos obstáculos, o preço. Para a minha surpresa, este havia baixado em quase 50%! Ah! Agora sim poderíamos sonhar em implantar um sistema desses por aqui.

Informado de todos os benefícios e desafios, o próximo passo era conversar com outros integrantes do grupo e convencê-los de que a causa era nobre. Nunca pensei que fosse tão fácil! Após alguns encontros, já éramos sete pessoas. Como o CRAM é um clube sem fins lucrativos e que não cobra mensalidade de seus associados, a única forma de se conseguir o dinheiro necessário para a aquisição era pedir que cada um dos participantes ajudasse comprando uma cota. Dividimos o valor e concluímos que ainda era muito dinheiro, pois além da cota cada um ainda tinha que desembolsar o dinheiro para um rádio novo que fosse compatível com o sistema.

Novamente o obstáculo era o custo, pois se tratando de algo inédito no Brasil, e como ninguém jamais havia visto um destes funcionando, todos tinham que acreditar em meu entusiasmo e pagar pra ver. Fiquei pensando no que poderia ser feito para baratear esse custo e a única idéia que me veio à cabeça no momento foi enviar um e-mail para tentar sensibilizar a Icom sobre nossa nobre causa.

Mão a obra, redigi um e-mail explicando como custa caro ser radioamador no Brasil devido aos impostos exorbitantes e quanto gostaria de instalar um sistema D-STAR por aqui. Bom, agora era só esperar.

Enquanto isso, sem saber se o e-mail resultaria em alguma coisa, continuei tentando encontrar outras formas de angariar fundos para a causa. Falando com o PU2TTY - Celso, que faz parte da diretoria da rede de Supermercados São Vicente, acordamos que ele participaria com 25% do sistema e eu, por parte da Hamtronix, participaria com mais 25%. Isso aliviaria bem o valor de cada cota para cada participante.

Alguns dias depois, para minha surpresa, o Erwin da Radiohaus entrou em contato comigo em nome da Icom com uma excelente notícia. A Icom estava disposta a negociar um sistema com preço muito especial para viabilizar nosso projeto. Grande notícia! Quando ele nos revelou as condições oferecidas pela Icom, percebemos que com um pouco mais do São Vicente e da Hamtronix poderíamos comprar o sistema sem a necessidade da cobrança de cotas, permitindo que os participantes só se preocupassem com o gasto de seu novo rádio D-STAR. Tudo estava resolvido. Agora era só concluir a compra, o que foi grandemente facilitado pela presteza do Erwin da Radiohaus.

Mas espere um momento! O que a Icom ganha com isso tudo? Ela deve querer uma contra partida, pois acredite, o preço foi muito especial, especial até mesmo comparado aos baixos preços praticados nos EUA. A contra partida é simples: Divulgar o sistema D-STAR. Só isso? Só isso. Nada mais justo.